domingo, 2 de janeiro de 2011

Quanta saudade: Unidos da Ponte Pt.2: "Axé! O samba pisa forte no terreiro..."




Após o estrondoso sucesso com o samba de 1983, a Unidos da Ponte despontava em 1984 com mais uma excelente composição, "Oferendas" era um samba forte, mágico, com toda a energia que se espera de um samba com tema afro, aliás, essa combinação sempre rende excelentes sambas, e dessa vez não foi diferente. Porém nem toda a força dos Orixás foi capaz de manter a escola de São Mateus no Grupo Especial, o primeiro grande revés da Unidos da Ponte, o rebaixamento para o Grupo de Acesso de 1985, mesmo assim o refrão desse samba ficou imortalizado nos corações daqueles que o ouviram "Axé/O samba pisa forte no terreiro/É mistério é magia/É mandingueiro".

O retorno à elite veio em grande estilo, com o título do Grupo de Acesso em 1985, com mais uma obra de qualidade, "Dez nota dez" mesmo um pouco abaixo dos seus sambas antecessores, ainda sim era de muita qualidade, se destacando num ano onde o Grupo de Acesso apresentou obras primorosas, como o samba do Arranco "Chuê-chuá, Moronguetá cruz credo", mas isso já é uma conversa para outro dia.

A Ponte então emplacaria alguns anos seguidos, desfrutando o Grupo Especial e presentando a todos com seus sambas inspirados. A Unidos da Ponte conseguia então emplacar um estilo de samba muito característico, e com seus desfiles alegres, conquistou muitos fãs e admiradores.
Dentre as obras da segunda metade dos anos 80, podemos destacar o belíssimo samba de 1987. "G.R.E.S. Saudade" conseguiu transmitir o sentimento de saudade de uma forma muito interessante, a melodia é animada e vibrante, mas com variações melódicas emocionantes, que fazem com que não só a letra, mas também a melodia nos remeta a esse sentimento de saudade. Destaco nessa obra o refrão do meio "Quero o tempo parado/E poder reviver/Meu antepassado/Meu carnaval é você".

O final dos anos 80 porém, traria para a Ponte o amargo gosto do rebaixamento, em 1989 a escola apresentou um samba muito abaixo dos sambas dos anos anteriores, "Vida que te quero viva", pretendia alertar para a devastação da natureza, porém a tentativa de mudar o estilo de sambas da Ponte foi um desastre. O samba não tinha a mesma qualidade poética e nem o brilho de uma melodia inspirada, a unica coisa que possuia era animação, o que não fou suficiente, e isso se refletiu na avenida, com a 15ª colocação entre 18 escolas, a querida agremiação de São João de Meriti estava rebaixada para o Grupo de Acesso de 1990.

Vamos relembrar então o samba de 1987, mais uma obra que ficou na história da Ponte, e que nos faz pensar e refletir sobre o que é um samba-enredo de verdade...


Compositores: Silvio da Ponte e Zoinho da Ponte


O canto que encanta espanta
Os males que a vida nos traz
Saudade lembrança é herança
Dos antigos carnavais
Saudade que bate constante
Tão forte dentro do meu coração
O céu está engalanado
O chão todo enfeitado
De recordação

Quero o tempo parado
E poder reviver          (bis)
Meu antepassado
Meu carnaval é você

Que beleza
A natureza traz de volta
O meu cantar
O arco-íris se transforma
Em passarela
E a Ponte é a tela
Da glória em seu despertar

No gingado da baiana
Dança o Sol
E dança a Lua          (bis)
Também dança a velha-guarda
E a vida continua

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